sexta-feira, 1 de junho de 2012

F. Schubert - Serenade

VIENA - ÁUSTRIA

A capital austíaca, cidade da música, de belos museus, do Danúbio, é, como boa parte das grandes cidades europeias, uma urbe onde se pode encontrar de tudo, com inúmeros pólos de atracção. Mas a Áustria é muito mais. espraia-se com cores diversas na beleza de Sazburgo, de Mozart, no sabor da gastronomia regional dos restaurantes da pequena Innsbruck ou ainda em paisagens naturais como as dos grandes lagos Mondsee ou Attersse, ou dos mais pequenos, de alta montanha, como o Gosausee. É indispensável sentir o frio convidativo da grande gruta de gelo de montanha de Daschtein, após a subida de teleférico, com a sua sala Parcifal e a pequena «capela», ou o vigor furioso das águas tempestuosas das cataratas de Krimml, com os seus 400 metros de desnível. Só que a Áustria é indissociável da sua capital. Aos olhos do mundo, é o cerne da música clássica. Todos os anos o facto é relembrado pelo ecoar dos sons do Concerto de Ano Novo para todo o planeta, através da caixinha das imagens e do som: a televisão. DESPONTAR DO DIA. viena pode ser pouco convidativa ao despontar do dia, a seguir a uma noite de tempestade de Verão, ainda com as ruas vazias de pessoas. É a hora da distribuição das mercadorias pelos estabelecimentos comerciais com os camiões ainda na recolha do lixo. Os raios de sol. perfurando as nuvens e iluminando a cidade, começam depois a fazer despertar os sentidos do visitante para as suas cores misturadas com uma plêiade de ciclistas que se apressam para o início de mais um dia de trabalho. Por todo lado, carruagens puxadas por cavalos, com os seus cocheiros vestidos a rigor, esperam levas de turistas. O palácio imperial, o ofburg, sede da Casa Habsburgo até ao nosso século, faz-nos despertar com a sua grandiosidade. É a Viena sedutora que se perfila perante o olhar inebriado de quem visita, sobretudo pela primeira vez.

VIENA - ÁUSTRIA

HISTÓRIA. Situada numa zona estratégica das margens do Danúbio, a região de Viena apresenta vestígios de habitações humanas datadas de 5 mil anos a. C. Mas foi cerca de 100 anos após o nascimento de Cristo, que os romanos erigiram o campo fortificado de Vibona, na zona onde hoje se encontra o bairro central da cidade. Em 1155, os Babenberg, família então reinante na região, decidem fixar residência em Viena, que se desenvolve rapidamente. Com a chegada do século XIV, a família dos Habsburgo ascende ao poder, que manteve até ao nosso século. O fim chega com a 1ª Grande Guerra, com o exílio de Carlos, filho de Francisco José, marido da célebre Sissi, a princesa bávara retratada por Romy Schneider na série de filmes cor-de-rosa que lançou a actriz (muitomais bonita que a original). Viena é sede da segunda universidade de expressão alemã, criada através da cata «Alma Mater Rudolfina» por Rudolfo IV, o Fundador, em 1365. Este foi responsável pela construção da primeira catedral de Santo Estêvão. Nos séculos XVI E XVII, a capital austríaca é atacada pelo exército turco. Após o assalto otomano de 1685, arquitectos do barroco como Lucas von Hildebrant e Fischer von Erlach, erguem belos palácios sobre a cidade em ruínas. O de Belvedere, cuja construção data do iníciodo século XVIII, foi mandado erguer por ordem do príncipe Eugénio de Saboia em frente às portas de Viena, É um dos mais belos exemplos da arquitectura barroca na Europa. O pavilhão mais próximo do centro de Viena, o Belvedere Inferior abriga o museu de Arte Barroca. A 500 metros, sobranceiro a um jardim de estilo francês e situado num plano mais elevado, encontra-se o Belvedere Superior. Outro exemplo do estilo barroco é o Palácio de Schõnbrunn, residência de Verão dos imperadores austríacos. Tentando competir com o Palácio de Versalhes, ficou diminuido em relação ao projecto inicial, por falta de verbas. Mas não deixa de ser belíssimo. Toda aquela grandiosidade se fica a dever à acção da imperatriz Maria Teresa, mulher de metro e meio e 130 quilos de peso que governou, durante mais de 60 anos, o império austro-húngaro. É indispensável uma visita ao complexo, construído ainda pelos jardins, fonte de Nepturno, Gloriette (um arco do triunfo), Jardim Zoológico e Palmeiral.

VIENA - ÁUSTRIA

NEO-ABSOLUTISMO. Após as invasões napoleónicas do início do século XIX e de várias convulsões políticas e sociais que se lhes seguiram, inicia-se, em 1848, um novo período de neo-absolutismo com a coroação do jovem imperador Francisco José, então com 18 anos. Durante o seu reinado, o monarca mandou deitar abaixo as muralhas que defendiam a cidade e construir a magnífica avenida., ladeada de monumentos, que constitui hoje o «Ring». Este delimita e circunda a cidade antiga, o bairro central da capital austríaca, primeiro dos 23 bairros que a constituem. Viena é invadida por arquitectos de concepções diferentes, o que se reflecte nos principais edifícios erguidos na época. A Ópera e o «Burgtheater» mostram um misto de Renascimento e classicismo italiano, o parlamento aparenta um estilo que deriva do grego e o município tende para o neogótico. Viena possui mais de 100 museus, inúmeros monomentos, cafés e pastelarias de charme, ruas ladeadas de belos edifícios antigos (salvo poucas excepções, como o contrastante edifício vidrado da praça de santo Estêvão, a fazer lembrar alguns dos prédios-espelho que cresceram em Lisboa nos últimos anos). Resplandecente é ainda o Danúbio e os seus canais, pejados de pequenas casas encantadoras. Finalmente o parque do Prater, conhecido pelo seu campo de futebol, onde já se jogaram finais europeias e pela emblemática roda gigante, celebrizada do filme «O Terceiro Homem». Viena é uma cidade abençoada. Extraordinariamente cosmopolita no Verão, é invadida por um incontável número de turistas europeus. Nessa época encontra-se pejada de alemães, holandeses, checos, húngaros, espanhóis, japoneses, portugueses ou noruegueses. É uma urbe bem estruturada. No entanto, pode ser uma armadilha para o visitante estrangeiro que tente deslocar-se no seu interior de automóvel. A maior parte das ruas é sentido único, e quase não há parques de estacionamento. Resultado: aqueles que não conseguem passear sem levar o carrinho até à porta do destino têm tendência para se perder. Quem vem de fora autotransportado deve deixar o carro no exterior de Viena, junto a uma estação de metro, como a de Alte Donau, ou de outro meio de transporte. depois, é só adquirir um bilhete de 24 horas, para a Stephenplatz, ponto central da cidade.

VIENA - ÁUSTRIA

AMBIENTE. A hora mais sedutora de Viena é a do fim do dia, principalmente na Karntnerstrasse, e também na Kohlmarkt, ou na Graben, ruas pietonais do 1º bairro de Viena. Milhares de pessoas passeiam de forma calma ou repousam sentadas nos inúmeros dispersos pelas ruas. No início da Kãtnerstrasse, pouco depois de passar o edifício da Ópera, dois hippies tirados a papel químico dos tempos áureos do movimento, na década de sessenta, tocam canções de Neil Young. Um pouco mais longe, um jovem barítono, de voz possante, entoa árias acompanhado pelo som de um pequeno gravador. Mais perto da catedral de Santo Estêvão, um trio de cordas, constituído por dois violinos e um violoncelo, interpreta Mozarte de forma divinal. O facto era demonstrado pela multidão que se aglomerava para o ouvir e realçado pelos fortes aplausos ouvidos após os últimos acordes. Perto das 20 horas termina a missa das sete na catedral de Viena, cidade essencialmente católica. Na praça, uma pequena multidão de austríacos vestidos a rigor punha as novidades em dia em amena cavaqueira de «pré-ida» para casa. No final do dia em Viena, os austríacos distiguem-se fácilmente da massa de turistas de calções e T-shirts, pela forma «domingueira» de trajar. Mais perto do canal do Danúbio, na Schwedenplatz, dezenas de pessoas aglomeram-se à porta de uma casa de gelados italianos, enquanto outros tantos os saboreiam àespera do eléctrico ou autocarro, ou a escutar uma banda de jazz de sexagenários que toca sons de New Orleans à porta do metro. Eram 22 horas, a temperatura já baixara dos 30 graus e a noite aparecera. Viena sabia bem.
Catedral de Santo Estêvão - Viena

VIENA - ÁUSTRIA